Sete atletas do Manly Sea Eagles se retiraram de uma partida da National Rugby League após receberem informação de que deveriam usar camiseta arco-íris.

O rugby, um esporte muito popular na Austrália e praticado por homens e mulheres, ganhou o noticiário após sete jogadores de um clube se recusarem a usar uma camisa em apoio à inclusão LGBTQ.

Os atletas do Manly Sea Eagles se retiraram de uma partida da National Rugby League (NRL) alegando crenças culturais e religiosas.

A camisa tem listras de arco-íris e uma gola de arco-íris – no lugar das partes brancas regulares – para ser usada pelo clube em um jogo contra o Sydney Roosters.

Josh Aloiai, Jason Saab, Christian Tuipulotu, Josh Schuster, Haumole Olakau’atu, Tolu Koula e Toafofoa Sipley estará fora do time na quinta-feira (28). As equipes da NRL são formadas por 13 jogadores iniciais e quatro no banco de reservas para cada jogo.

Des Hasler, técnico do Sea Eagles, disse nesta terça-feira (26) que respeita a decisão dos atletas por suas convicções pessoais.

“Os jogadores não jogarão na quinta-feira e aceitamos a decisão deles”, disse Hasler. “Esses jovens são fortes em suas crenças e convicções e daremos a eles o espaço e o apoio de que precisam”.

“O grupo de jogo é sólido e entende os pontos de vista um do outro. Como clube, usaremos a camisa na noite de quinta-feira”, sobre a adesão dos demais atletas.

treinador se desculpou pelas consequências decorrentes da falta de consulta prévia do clube aos jogadores.

O técnico do Sea Eagles, Des Hasler, durante coletiva de imprensa; camiseta arco-íris. (Captura de tela YouTube Sky Sports News)

“Nossa intenção era cuidar de todos os diversos grupos que enfrentam problemas de inclusão diariamente”, disse Hasler. “Infelizmente, essa má gestão causou confusão, desconforto e dor significativos para muitas pessoas, em particular para aqueles grupos cujos direitos humanos de fato tentamos apoiar”.

“Desejamos pedir desculpas à comunidade LGBTQ que abraça as cores do arco-íris, que usam essas cores para orgulho, defesa e questões de direitos humanos”.

Respeito pela decisão

O presidente da Comissão Australiana de Rugby League, Peter V’landys, também disse compreender as escolhas dos jogadores, com base em diferenças religiosas e culturais, mas pressionou pela inclusão e aceitação no esporte.

“Uma coisa de que me orgulho na liga de rugby é que tratamos todos da mesma forma”, disse V’landys. “Não importa sua cor, orientação sexual ou raça. Nós somos todos iguais”.

“Nunca daremos um passo para trás em ter nosso esporte inclusivo. Mas, ao mesmo tempo, não desrespeitaremos a liberdade de nossos jogadores”.

Camiseta do Sea Eagles com as cores do arco-íris. (Captura de tela YouTube Sky Sports News)

A Liga de Rugby não tem uma rodada do Orgulho designada, mas V’landys disse que poderia ser uma consideração para temporadas futuras.

Os Sea Eagles estão em nono lugar no NRL, um lugar abaixo dos Roosters. As oito melhores equipes se classificam para os playoffs.

Manly era o único clube que planejava usar uma camisa do orgulho gay nesta rodada.

O boicote às camisas dominou a cobertura do NRL depois que foi relatado na segunda-feira pelo Daily Telegraph de Sydney, com críticas tanto pelo boicote quanto pela falta de consulta do clube com os jogadores.

O jornal disse que os jogadores não sabiam que deveriam usar a camisa até que ela fosse mostrada à mídia.

Conflito com crenças

A mesma decisão já foi tomada por jogadores de outros esportes, ao se recusarem a usar camisetas com propagandas ou mensagens que conflitassem com suas crenças.

Em 2016, o jogador de críquete Fawad Ahmed foi autorizado a jogar em uma camisa que não carregava o logotipo do patrocinador de cerveja da equipe australiana por causa de sua objeção ao álcool por motivos religiosos.

Fonte: Guiame

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