Para o teólogo, a invasão russa à Ucrânia faz parte dos sinais apontados por Jesus como o princípio das dores, mas não tem relação com “Gogue e Magogue”.

Existe relação entre alguma profecia bíblica com o atual ataque da Rússia à Ucrânia? Ao abordar um assunto que tomou conta do noticiário na última semana, o arqueólogo e historiador Rodrigo Silva disse que não entende como a Rússia poderia ser Magogue, como muitos afirmam.

Para ele, essa “visão escatológica dispensacionalista” que é muito popular e que demoniza a Rússia e a China, não condiz exatamente com o que dizem as Escrituras.

Em seu canal no YouTube, o arqueólogo postou um vídeo sobre o assunto, na quarta-feira (2), detalhando seu ponto de vista e deixando claro que, de maneira muito respeitosa, discorda de algumas opiniões.

Profecias sobre Gogue e Magogue

As profecias em Ezequiel 38 e Apocalipse 20 parecem se harmonizar, apontando para o mesmo evento, ou seja, uma batalha que será conhecida pelo nome “Gogue e Magogue”.

Resumidamente, a Bíblia diz que, um dia, quando Israel estiver vivendo em paz em sua própria terra, então virá Gogue de Magogue para atacá-la, acompanhado de muitas nações, com um exército muito numeroso (Ezequiel 38).

E, segundo Apocalipse, que também cita o termo “Gogue e Magogue”, essa batalha acontecerá após o milênio. A profecia apocalíptica parece falar do mesmo evento — nações se reunirão contra Israel — cercando a cidade amada com um exército cujo número é comparado simbolicamente “como a areia do mar”.

Porém, Rodrigo diz que Rússia e China, por serem nações expansionistas e que lutam pelo poder, não deveriam ser colocadas neste momento no cenário profético de Gogue e Magogue.


Explosão é vista na capital ucraniana de Kiev, em 24 de fevereiro. (Foto: Gabinete do Presidente da Ucrânia)

Por que associam Rússia a Magogue?

Conforme o professor, o principal motivo é a similaridade na fonética. O nome “Rôs” ou “Rosh” (dependendo da versão bíblica) tem semelhança com o nome “Rússia”.

“Mas, é estranho pegar só a fonética similar porque gramaticalmente teremos problemas. Rôs em hebraico (ro’sh) significa cabeça, topo, começo ou principal. Não há menção na Bíblia de que Rôs seja um lugar. Daí fica difícil dizer que Rôs possa ser a Rússia”, explicou.

De acordo com o historiador, os russos são de tribos bárbaras do nono século. Além disso, a palavra “russo” quer dizer “remadores”.

Sobre a formação dos povos

Rodrigo explica que muitos historiadores defendem que a migração dos filhos de Jafé, na configuração mundial após o dilúvio, tenha acontecido na direção da região dos Balcãs. “Onde fica o mar Cáspio, o mar Negro, na região que realmente foi ocupada pelos russos”, ele disse.

“Alguns até pensam que Magogue seria a região da Armênia, do povo Cáucaso. Então, realmente, parece que Magogue é a região que vai coincidir com o que hoje é a Rússia. Isso é verdade. Mas, será que Ezequiel tinha em mente aquela região quando profetizou citando Gogue e Magogue? Ou seria um símbolo?”, questionou.

Ao lembrar que na profecia de Ezequiel 38, há citações de várias nações inimigas de Israel, o arqueólogo observa que Babilônia não é citada, embora tenha sido uma das piores inimigas, destruindo o Templo e levando o povo cativo.


Ucranianos orando na praça central de Kharkiv, Ucrânia. (Foto: Cortesia da Sociedade Bíblica Ucraniana)

Por que será que Babilônia não é citada na profecia?

Rodrigo Silva respondeu com outra pergunta: “Será que foi mencionada de maneira codificada?”.

A principal nação inimiga de Israel — Babilônia — poderia ter sido citada em código mas, apesar de ser um argumento intrigante, o professor ainda acha que não é convincente o bastante.

Em Apocalipse, João fala de uma Babilônia mística, onde também cita o mesmo ataque a Israel e usa novamente o termo “Gogue e Magogue” (Apocalipse 20). “E o termo Gogue e Magogue está ligado a satanás”, lembrou.

Conforme Rodrigo, as palavras proféticas em Ezequiel 38.22 parecem ser ampliadas em Apocalipse, quando João descreve as últimas sete pragas, já que ambos os textos especificam a execução do juízo de Deus através de derramamento de sangue, saraiva, enxofre, entre outros elementos.

Simbolismos e representações

De acordo com o teólogo, também é interessante observar que, quando a Bíblia diz que o mal vem do norte, é preciso se lembrar que “Deus se assenta no norte e que o diabo disse que se assentaria na montanha do norte, tentando imitar Deus”.

Além disso, a Bíblia fala de alguns personagens que também representam o diabo, como no caso do rei de Tiro. Isso quer dizer que o rei de Magogue será “usado pelo diabo” para ter o desejo de atacar Israel, o povo de Deus.


Judeus imigrantes celebram ao desembarcar em Israel, três dias antes da invasão russa à Ucrânia. (Foto: International Fellowship of Christians and Jews)

A guerra não é um anúncio da volta de Jesus

“Quando os discípulos perguntaram a Jesus sobre os sinais de sua volta e do fim dos tempos, Ele os alertou para que tomassem cuidado para que não fossem enganados”, disse.

Rodrigo lembra que Jesus citou “guerras e rumores de guerras” como um sinal do princípio das dores, em Mateus 24.

“Se uma guerra fosse o sinal do fim, então Jesus diria: ‘Vocês ouvirão falar de uma grande guerra, fiquem alertas, porque será o fim’. Mas Ele nunca citou uma grande guerra mundial como sinal do fim”, reforçou

“Eu sou sou pré-milenista, eu acredito que a volta de Jesus será antes do milênio. Ele vai prender o diabo e pôr fim ao reino do mal. Mil anos depois, quando a nova Jerusalém descer do céu, os ímpios receberão o dano da segunda morte”, disse ao se referir à ressurreição dos ímpios para o Juízo Final.

É dentro desse contexto que Rodrigo acredita que acontecerá a grande batalha de Gogue e Magogue e o Armagedom.

Quanto ao atual conflito entre Ucrânia e Rússia, Rodrigo comenta: “Eu vejo essa guerra com grande dor e tristeza, mas não fico assustado e nem aterrorizado porque Jesus disse para nos assustarmos, pois ainda não é o fim”, concluiu.

Assista na íntegra:

Fonte: Guiame

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