O Pentecostes era comemorado literalmente cinquenta dias (quinquagésimo dia, no grego) após a Páscoa.

O Dia de Pentecostes foi, plenamente, um dia que marcou a história da Igreja. Poderíamos dizer que, desde o Pentecostes que antecedeu em Atos e até os dias de hoje, temos registros do quanto a chegada do Espírito Santo revolucionou gerações e continua. É como se pudéssemos exemplificar como um álbum de fotos o que aconteceu neste dia. O livro de Atos, por exemplo, seria o álbum da Igreja, onde cada capítulo exprime uma revelação.

No Velho Testamento, o Pentecostes era um símbolo apontando para o Pentecostes do Novo Testamento. Antes, conhecido como uma festa judaica que acontecia anualmente, instituída por Deus, para celebrar a colheita e relembrar a saída e a libertação de Israel da escravidão no Egito. O Pentecostes era comemorado literalmente cinquenta dias (quinquagésimo dia, no grego) após a Páscoa.

Os filhos de Israel que estavam no Egito deveriam marcar as portas das casas com o sangue do cordeiro ou cabrito para que fossem guardados das mãos dos hebreus, sinalizando o cuidado do Senhor ao serem guardados, quando visse a sinalização do sangue nos umbrais das portas, conforme a Bíblia menciona em Êxodo 12:23:

“Quando o Senhor passar pela terra para matar os egípcios, verá o sangue na viga superior e nas laterais da porta e passará sobre aquela porta; e não permitirá que o destruidor entre na casa de vocês para matá-los.

Cinquenta dias depois do Êxodo, ainda na Velha Aliança, os israelitas finalmente chegam ao Monte Sinai (ou Monte Horebe em hebraico), lugar onde Moisés recebera as Tábuas da Lei, para que pudessem compreender os mandamentos da Lei e celebrar este dia anualmente. Apesar de histórico, até hoje a região situada no Sul da Península do Sinai, no Egito, é considerada sagrada por religiões como Judaísmo e Islamismo. Este foi o primeiro pentecostes: o dia conhecido como a promulgação da Lei de Deus.

A boa notícia é que a lei foi cumprida por intermédio de Cristo, a qual recebemos a Lei perfeita de Deus atráves do Verbo que se fez carne, habitou entre os homens e confirmou a Sua presença atráves da pessoa do Espírito Santo. Jesus cumpriu a lei que outrora escrita em tábuas de pedra, para que a tivéssemos em nossos corações. Hoje, ao lembrarmos de Pentecostes, essa é a nossa celebração: O Espírito Santo veio não apenas sobre nós, mas para residir em nós pra sempre. Agora, debaixo de uma Nova Aliança, não mais precisamos celebrar uma vez ao ano, pois temos acesso irrestrito quanto a pessoa e a presença do Espírito Santo. Somos um com Ele, em todo tempo, em qualquer lugar.

No livro de Atos encontramos muitas revelações que fomentam a vinda do Espírito Santo no dia de Pentecostes, não apenas como um simples derramar ou enchimento do Espírito, sobretudo como uma realidade da presença, do poder do alto e da comunhão de Deus com o seu povo. O marco histórico e incomparável é que no capítulo um de Atos ainda vemos uma Igreja que se preocupava com questões políticas da época, e até lançar sortes, como na escolha daquele que substituiria o lugar de Judas, pois ainda não tinham a experiência da pessoa do Espírito Santo. Jesus pede para que aguardem a promessa em Jerusalém, porque Ele iria para o Pai mas não deixaria seus seguidores sozinhos, o Espírito Santo viria. Antes da ressurreição de Jesus, é a última vez que os discípulos decidem por sorte, pois apesar de terem a vida de Jesus, ainda não tinham o revestimento de poder no Espírito para discernirem sobre coisas espirituais, até que no capítulo dois o cenário muda completamente.

A vinda do Espírito Santo cumpriu outras profecias do Antigo Testamento, por exemplo, descrito em Joel, Isaías e Ezequiel. Além disso, o Espírito Santo desceu sobre Jesus no rio Jordão enquanto ele orava e no dia de Pentecostes enquanto a igreja perseverava unanime em oração, naquela manhã dentro de uma casa. O dia de Pentecostes evidenciou não apenas a descida do Espírito como em Atos 2, mas foi anunciado aos judeus a lei da graça de Deus e da salvação em Jesus; resultado disso, a pregação de Pedro no capítulo seguinte com mais de três mil homens convertidos e as notícias que circulavam a cidade a respeito do acontecimento. São duas experiências distintas; a habitação do Espírito Santo acontece apenas uma vez, quando somos regenerados, recebendo a natureza de Deus em nós ao nascer de novo, nos levando a SER testemunhas de Cristo, enquanto a visitação ocorre constantemente através do enchimento do Espírito, como um combustível que nos capacita e nos habilita a FAZER, assim como aconteceu com Pedro em sua pregação após ter sido revestido de poder.

Não basta apenas admirarmos o que aconteceu na história da Igreja, precisamos ser a habitação do Espírito e sermos cheios todos os dias. O Apóstolo Paulo diz aos Coríntios que não tem a ver com uma mensagem baseada em palavras persuasivas de conhecimento, mas em demonstração do Espírito e de poder, pois somente desta forma, podemos ser cheios de poder, autoridade e ousadia. Atos continua… quem continuará a escrever história?

Matheus Grismaldi é escritor, missionário e assessor de comunicação e imprensa em Angola, África. Também integra equipe de plantações de Igrejas, dedica-se ao discipulado, apaixonado pelo Evangelho e faz parte da liderança na Igreja Videira, Vinha Angola. É o filho caçula de três irmãos, nascido em lar cristão, natural de São Paulo, carrega o sonho de ver uma geração vivendo a grande comissão e missões transculturais.

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